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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Me ame por favor!

O ano não terminou/começou muito bom pra mim, quando se trata da minha saúde física.

Já estava mais pra lá do que pra cá a algum tempo. A dor de cabeça era quase diária, mas eu a associava a minha péssima condição psíquica. Associava também a essa condição algumas dores no corpo, juntas e cansaço.

A alguns meses fui a uma dermatologista a fim de saber sobre a minha tenebrosa queda de cabelo. Caia tanto que eu já estava pensando que ficaria careca. Fiz todos os exames pedidos, e felizmente meus exames de sangue estavam perfeitos, exceto... Ferritina. Eu já tinha dado uma olhada nos exames e tinha visto essa alteração. Pesquisei na internet e detestei o que vi, mas minha dermatologista não levantou nenhuma questão, então despreocupei. Incrível como qualquer coisa que eu sinta eu já penso em câncer, mas de alguma forma essa ideia não me assusta.

Quando levei estes mesmos exames para a psiquiatra (porque só faziam dois meses que a dermato tinha pedido estes e ela disse que serviam), assim como a dermatologista ela concordou que meus exames estavam ótimos, mas... diferente da outra médica ela apontou o excesso de ferritina e me sugeriu dar uma olhada nisso.

Depois disso, dores na área abdominal, sangramentos, enjoos e depois do natal peguei uma gripe alérgica. Meu nariz sangrou durante a noite, enquanto eu dormia, o que pode indicar uma inflamação por rinite ou sinusite, o rompimento de uma veia ou até mesmo um pré AVC.

As dores de cabeça ainda não pararam e passei o ano novo com algum tipo de inflamação articular no ombro esquerdo e muscular na região da base do pescoço do lado direito. A alegria estava feita quando a articulação do joelho deu uma reclamada.

Marquei médico, marquei exame e marquei mais um médico. Continuo mal, aguardando consultas e exames pra saber se tem mesmo algo de errado ou se sou só sintomática mesmo.

Agora me pergunto, porque estou contando tudo isso pra vocês?


Este post termina aqui!


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Encontro com a psiquiatra



Ontem tive consulta com a minha psiquiatra. Por alguma razão esqueci de levar o resultado dos meus exames e fiquei com "cara de tábua" por conta disso. Mas ela disse que posso levar na próxima consulta.

A consulta foi muito boa. Ela disse que eu parecia mais serena e que isso é muito bom. Falei para ele sobre esse sentimento de estar estagnada, de não ter nada para chamar de meu e como isso me mata por dentro, porque quero muito poder encontrar um equilíbrio para minha vida, para poder fazer planos que eu consiga colocar em prática e ter melhores perspectivas futuras. Ela disse que estou no caminho certo e que apesar da minha visão pessimista de mim existe uma outra perspectiva: eu não tenho família, marido ou filhos que me prendam, tenho capacidade intelectual de fazer o que quiser, só preciso me encontrar comigo e com a minha personalidade e por isso é importantíssimo que eu faça a terapia. Disse também que eu já possuo um histórico de movimento pois eu não me corto mais nem faço mais usos de drogas, o que é muito positivo.

Quanto ao psicopata, ela ficou bastante contente em saber que depois da nossa ultima consulta eu cortei totalmente minha relação com ele. Me disse algo que faz todo o sentido: "Ele é perverso e sabe quais são os seus pontos fracos. Você continuar se mantendo em contato com ele é uma forma de continuar a se mutilar. Não o ato individual que você exercia, mas deixando que o outro te sangre." 

Achei muito bacana quando ela disse "Não sou psicóloga, sou médica e posso dizer 'exclua esse cara da sua vida'. Vou falar não como médica, deixando os diagnósticos de lado, mas como uma tiazinha que mora ao seu lado e que gosta de você: esse cara não serve pra você menina, ele é mal, você merece alguém muito melhor".

Outra coisa que ela disse é que eu posso sim chegar ao estágio de ter controle sobre a forma como eu reajo as situações e sentimentos. Reforçou a importância de fazer a terapia, que no caso de borders é a forma mais eficaz de tratamento.

Além disso, a dosagem do meu remédio aumentou de 50 para 100mg. Ainda tenho muitas crises de ansiedade e compulsão alimentar, apesar de as oscilações de humor estarem um pouco mais brandas, dependendo da situação.

No mais, só daqui um mês a verei novamente. 

Ontem bati um papo delicioso com a menina do canto, uma pessoa maravilhosa! Torço muito pela nossa recuperação. 

Um beijo!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sessão de Terapia #1 #2 - Por trás do véu

imagem de: http://www.internetmonk.com/archive/40465

Faz mais ou menos um mês que recebi o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline. Na primeira semana li tudo o que podia sobre o tema. Encontrei blogs muito bacanas, como o Borderline Girl e outros que não são mais atualizados a algum tempo e posso dizer que me ajudou muito a entender um pouco sobre o que eu tenho e claro, não me sentir sozinha.

Durante os meus vinte e sete anos eu sempre achei que fosse forte e que poderia lidar com tudo sozinha, mas infelizmente não posso. Por alguma razão meus pais reagiram muito mal ao diagnóstico. Minha mãe negou, disse que vamos a um neurologista, que eu não tenho nada. Claro que é difícil para ela aceitar quando mantive todo meu histórico em segredo. Na minha casa não se fazem muitas perguntas e pode-se dizer que eu sempre fui um pouco "arisca". Já meu pai, não expressa muito o que sente e no fundo acho que eu sou um pouco como ele.

Assim sendo, uma semana após o diagnóstico lá estava eu, novamente em crise, desesperada, pronta para me jogar na frente de um ônibus. Tudo desencadeado por meu ex-namorado, que me mandou uma mensagem que destroçou o resto de carne moída que tenho no lugar do coração. Naquele momento eu tive certeza que não conseguiria sozinha.

Minha psiquiatra me indicou uma psicóloga e foi pra ela que eu liguei.Infelizmente nunca consigo marcar uma consulta no mesmo dia, mas talvez tenha sido melhor assim. Semana passada foi minha primeira sessão: entre lágrimas e milhões de perguntas e amarras que me prendem tudo fluiu muito bem. Entre todas as coisas que contei para ela a grande questão nesse primeiro momento foi: "Quais os fatos da minha vida que me fazem acreditar que não consigo, que não sou capaz de fazer nada?"

Ainda não tenho uma resposta concreta, mas refletindo vejo que tenho uma tendencia a abandonar as coisas. Mudo de humor e opinião com uma facilidade incrivelmente fácil. Além disso, não consigo identificar em mim o que faz realmente parte da minha personalidade e o que foi moldado por conveniência para ser aceita pelos outros. Nisso se resume minha dificuldade: não me acho capaz porque não sei o que quero, nem sei quem sou.

E é incrível como esta resposta foi justamente a grande questão que rondou a minha segunda sessão, hoje: "Quem eu sou?" "O que realmente faz parte da minha personalidade?". Sabia que este espaço me ajudaria, pois foi exatamente agora que me deparei com isso. Como descrevi para minha psicóloga, eu vivo uma vida que não é vida, como se estivesse atrás de um véu, e tudo que vejo é turvo, impalpável, irreal... Incrível como a teia da psique vai se construindo. Isso me deixa feliz. 

A psicologa me deu alguns questionamento que terei de responder durante esta semana, são:

- O que gosta de fazer e está fazendo
- O que gosta de fazer e não está fazendo
- O que não gosta de fazer e está fazendo
- O que não gosta de fazer e não está fazendo

Partilharei aqui estas minhas descobertas. Busco descobrir a Mi e quem aqui vier irá acompanhar isso. Se vencer ou se for vencida, aqui irão saber. Só quero retirar este véu dos meus olhos.